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Tetera Eduardo

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Tetera

Salve os amantes da vida. ¡Bem vindo a bordo!
4月11日

Voto nulo ou inútil?

Já dá pra notar que continua a onda do eleitorado brazuca em escolher o voto nulo como alternativa para as próximas eleições, tanto no que diz respeito ao pleito majoritário (presidente, governador e senador), quanto ao pleito proporcional (deputado federal e estadual). Vejo o voto nulo como um repúdio ao pensamento político ativo e ajuda ainda mais a eternizar um Estado corrompido. Sou contra sim, à obrigatoriedade do voto.
Nossa Constituição Federal reza, em seu artigo 1º: "Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição". Isso vem confirmar que o povo é o legítimo possuidor da soberania e do poder, o próprio significado de "República", brilhantemente definido desde Cícero.

Ultimamente nos deparamos com diversas informações incoerentes sobre os elementos que dizem respeito a essa vontade popular. Existem "correntes" (a maioria divulgada pela internet) manifestando-se acerca do inconformismo popular diante da governo atual e pela falta de opções na hora do voto. Existe até um e-mail que anda circulando pela internet, instruindo os cidadãos a votarem nulo, com o objetivo, de forçar a realização de outra eleição.

Dá até pra entender os motivos dos que aderem ou lideram a campanha mas como lembra bem o Clóvis Rossi ela acabará representando aceitar mais dois contos do vigário do Lulo-Petismo:

Conto do vigário 1 - "Todos fazem" (trambiques), conforme o presidente disse na famosa entrevista em Paris, no ano passado. Se "todos fazem", então pode-se votar até no PT, que confessadamente faz, porque não é diferente dos outros. Falso. Muitos, de fato, fazem, mas não todos. A renúncia ao Conselho de Ética de meia dúzia de deputados oferece uma microlista, é verdade, mas lista de gente que ainda é capaz de indignar-se com a bandidagem e, mais, de renunciar a uma posição que lhes dá evidência e, portanto, mais chances de reeleição.

Conto do vigário 2 - Fingir que a escolha eleitoral é apenas entre PT e PSDB, farinhas do mesmo e lamentável saco. Errado. Há uma cornucópia de outros partidos, pelo menos nas eleições legislativas. Admito que dá trabalho procurar um nome limpo no meio da selva, mas santos não caem no colo de ninguém. No pleito presidencial, se outros candidatos, além da dupla hoje hegemônica, têm ou não têm chance, não importa. Eleição não é corrida de cavalo, em que o eleitor ou escolhe o cavalo vencedor ou perde dinheiro. No Brasil, ao contrário, o eleitor, se não é da corriola, tem perdido dinheiro é com o cavalo vencedor.

O voto nulo não anula a eleição.
 
 
 
3月28日

Catedral de Sevilha - Um vale invertido

Escrevendo o post sobre os livros esquecidos na Biblioteca Mário de Andrade me vieram lembranças da grandiosíssima Catedral de Sevilha e sua não menos portentosa biblioteca.Aquele monumento gótico de dimensões estupendas, desde sua origem, atrai gente de todos os ventos em busca de rotas perdidas e escrituras sagradas. Algumas vezes, os textos meditados ali oferecem sonhos, ambições, amor, confidências, luz. Diria que é um curral onde bezerros perdidos trotam entre as pastagens literárias daquela arquitetura oca. 

 

 
Ali navegam por entre teias de aranha medievais os humanautas buscando uma voz, uma esperança para o pecado, segredos, compreensão. Alguns funcionários da biblioteca trabalham; outros sonham, ainda há os que estão prisioneiros. Por vezes não resistem à tentação de abandonar os livros e, clandestinamente, ler os sonhos dos que por ali passam admirando aquele vale invertido magistral. Como um coiote na colina, os visitantes observam tudo aquilo com olhos fixos, cuidadosos. Muitos ali encontram as respostas perdidas de seu coração ou o porquê das brechas de uma sociedade incomprensível. Pode-se muitas vezes, observar pessoas desenhando o passado ou traçando roteiros furtivos entre as possibilidades dos títulos de um livro mas nunca sem dar-se conta do magnetismo do lugar que move seus próprios sonhos, compelindo-os a navegar num espaço inacessível: Os céus de Deus. Percebe-se que há ali naqueles pátios várias estrelas escondidas entre os livros, empregados, leitores, vigilantes, diretores. Muitos sonhadores. Sei que ali existem fogos secretos e informações contidas.
 

   
 
Conheci naqueles pátios um poeta, que havia viajado até Sevilha a fim de pesquisar algo de construções góticas e acabou conhecendo uma bibliotecária andaluza que por ali vivia. Dizia que "os olhos são a comporta da alma" e que esses o haviam levado ao encontro da bela... Não parece ser a coisa típica a se buscar em uma biblioteca, onde cada leitor é um número, uma credencial, um usuário de direitos, um roedor dos serviços. Mas a bibliotecária também respirava aquele ar antigo e misterioso e da sua torre de mármore roubou o pensamento, a atenção e o coração do poeta.
 
É assim, a catedral de Sevilha. Tão imponente que às vezes proibe qualquer leitura, sequestra os sonhos e se apropria das intenções alheias. Entra o visitante caminhando entre estátuas e elevações, cercado de águas em alguns espaços e, por instantes no interior daquele vale invertido, o silêncio torna-se obrigatório.

 

 

 

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3月15日

Enquanto você dormia...

Há quem diga dos amores virtuais: que eles não têm cheiro, nem gosto, nem pele, que não há o toque e demais.

Ora, ora, e não é que a coisa tomou um outro rumo?

As salas de bate-papo com câmeras - Você entra, se mostra, vê pessoas, escolhe. Nada mais de dizer, sou alto, sarado, loira, bonita... agora as pessoas se vêem e se curtem, ou não. Fim do mistério. Começo de novos tempos.

Lingerie nova? Corre pra mostrar na tela!
Perdeu aquela barriguinha horrorosa, ficou malhado feito um tanque? Mostra! Mostra! Aplausos!!!!
Tá gordo, peludo, cheia de celulite, peito caído? E daí? Tem quem goste. (E como tem!)

O virtual visto, se tornou extensão de vida. Não há como negar. E não há tempo a perder, se você tem um relacionamento ou um amor. Cuide dele. Cuide bem dele. Porque a oferta é grande, e a procura imensa. Câmeras abertas, contatos visuais, microfones ligados, vozes que até então só eram conhecidas pelo telefone, orgasmos partilhados e vistos em tempo real. Ninguém mais engana ninguém nesse virtual. E depois, quando o encontro real ocorre, você apenas se delicia com o gosto, o cheiro e as texturas, porque você já sabe tudo daquele corpo.

Quantos relacionamentos não desandaram por isso? E muitos tantos nasceram, por isso, também. Casamentos desfeitos, casamentos refeitos, amantes, amores, enfim, vida pulsante através da tela. Assim é o novo momento. Não se pode deixar passar. Não fique, você, se fiando que o virtual não tem condições de bancar o real. Ele tem sim. Por isso, abra seus olhos, porque essa sua postura lembra muito o filme...
2月23日

Katilce Miranda em busca de seus 15kb de fama

Muitas coisas acontecem de forma inesperada, e do nada eis que surge um fenômeno tão arrazador quanto a maré de gente nas areias de Copacabana. O Tsunami Katilce Miranda. Uma bancária do interior do estado fluminense que em poucas horas se tornou a maior celebridade do Orkut, que por sua vez é o maior banco de dados de relacionamento do mundo. O perfil dela foi o mais mais visitado do sistema e recebeu até às 23:00 de ontem um milhão de recados. E o número continua a crescer a cada segundo. Um explosão em cadeia como a da bomba atômica, com consequências ainda desconhecidas.

O que será dessa menina agora? Onde está Katilce? De um dia para o outro ela se tornou objeto de discussão no Brasil inteiro e até mesmo fora do país, em dimensões menores. Katilce viajou em poucas horas, milhares de km mundo à fora. Tem muita gente falando nela. Alguns tentando apenas brincar, divertir e se divertir. Outros querendo tirar sarro da menina que beijou o Bono em rede nacional e cantou junto com o ídolo diante de mais de 70 mil pessoas. Outros tentando difamar a menina, mas esse tipo de gente sempre aparece para destilar seu veneno do qual não fazemos questão.
Levado pela curiosidade fui ao perfil da nova celebridade virtual e devo admitir que dei muita risada com a originalidade dos internautas brasileiros. Tinha de tudo. Mensagens do tipo; "Filma eu Galvão", "Mãe eu tô na Katilce", assim como diversos anúncios de "vendo" e "compro", uma lástima.

Entre os tantos recados o que eu achei mais inteligente foi o seguinte. "Tudo o que é Bono dura pouco". Além de receber dezenas de recados por segundo, Katilce também recebeu dezenas de comunidades, até ontem eram mais de 40. "Katilce para presidente", "Katilce na Playboy", (eu também quero), "Katilce no Jô Soares", (bem provável, tendo em vista a gente desinteressante que ele convida), "Te conheço do chat da Katilce?", "Eu te vi na Katilce", "Eu deixei scrap pra Katilce", entre tantos outros. Katilce é um fenômeno da era da comunicação sem barreiras. A comunicação multimídia e instantânea, onde a internet e os sistemas de conversa online são a ordem do dia. Resta agora saber até quando essa mania irá durar.

Por ora, temos apenas a certeza da força desse poderoso meio de comunicação em massa e os seus efeitos imediatos, o futuro ainda é incerto. O próprio Orkut é um meio onde pessoas tentam desesperadamente se tornar celebridades. Há incontáveis perfis com a legenda lotado onde o dono escreve uma mensagem, dizendo que esse perfil lotou e que é para adicionar no próximo. Pessoas que adicionam milhares de desconhecidos e entram em centenas de comunidades, quando está claro que não será possível falar com todos nem participar das comunidades! Querem apenas ser vistas.

Nessa altura criou-se outra maldição: os sistemas de mensagens automáticas e em massa no Orkut. Os bichinhos, os links, as mensagens em código e tantas outras quinquilharias digitais que fazem do scrap book alheio um outdoor de 9ª categoria, chegaram e se foram na mesma velocidade em que se propagaram. Eram todos instrumentos usados para mostrar o quanto as pessoas são simpáticas e populares.
A Katilcemania é o mais novo método para chegar à popularidade, no Orkut e quem sabe conquistar 15 minutos de fama. Katilce é a mistura bem sucedida de da alegria do povo brasileiro, com a necessidade de ídolos e exemplos a serem seguidos por grande parte do povo tupiniquim.

PS: 1.574.413 recados neste momento (21:00) 

 

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2月6日

A Vingança do Telemarketing

Toca o celular...
Toca o celular...

- Alô?
- Alô, Senhor Eduardo?
- Sim
- Sr. Eduardo, aqui é da DIGO, estamos ligando para oferecer a promoção DIGO 1.382 minutos, onde o Sr. tem direito a...
- Desculpe, mas quem está falando?
- Aqui é Rosicleide Judite, da DIGO, e estamos ligando para...
- Perdão Rosicleide, mas para nossa segurança todo o nosso diálogo será gravado e devo conferir alguns dados antes de continuar a conversa, pode ser?
- ... bem, pode né...
- Vc trabalha em que área, na DIGO?
- Telemarketing Pró Ativo.
- Qual o seu número de matrícula na DIGO?
- Senhor, desculpe mas não creio que essa informação seja necessária, senhor...
- Então vou estar tendo que desligar, pois não posso ter segurança de que falo com uma funcionária da DIGO.
- Mas posso garantir, senhor...
- A única garantia é a senhora me fornecer seu número de matrícula para que eu possa estar checando, além do mais, sempre sou obrigado a fornecer meus dados a uma legião de atendentes sempre que tento entrar em contato com a DIGO.
- Minha matrícula é 6696969.
- Só um momento enquanto verifico.
(2 minutos)
- Só mais um momento.
(4 minutos)
- Não desligue. Sua ligação é muito importante para mim.
- Senhor?
- Só mais um momento, Judite, por favor. O sistema de internet da minha casa está lento hoje.
- Mas senhor...
- Pronto, Rosicleide, obrigado por haver aguardado. Qual o assunto?
- Aqui é da DIGO, estamos ligando para oferecer a promoção DIGO 1.382 minutos, onde o Sr. tem direito a falar 1.300 minutos e ganha 82 minutos de graça, além de poder enviar 372 DIGO Torpedos totalmente grátis. O senhor estaria interessado, Sr. Eduardo?
- Entendo, Rosicleide, mas vou ter que transferir você para a minha mulher, por que é ela que decide sobre alteração de planos de telefones celulares. Por favor, não desligue, vc será atendida assim que minha mulher dispensar o atendente da FARO...

Coloco o celular em frente ao aparelho de som, deixo a 9ª de Beethoven tocando no "Repeat" e vou para o bar tomar uma cervejinha...
 

Discos Antigos

Pra quem gosta de fotos antigas, conserva seus ídolos musicais e gosta daquelas fotos informais ou é puramente nostálgico (ou tudo junto) vale conferir as sessões do site discos antigos antigos.
A Marina W sugeriu e eu caí dentro.


David Bowie

Boca Livre...

Os pais de adolescentes já repararam na nova mania, e muitos deles ficam de cabelo em pé: a principal diversão da garotada, em festas e baladas, é beijar vários parceiros na mesma noite.
Beijo de verdade – daqueles que adultos só trocam quando estão apaixonados. A moda se espalha entre meninos e meninas cada vez mais jovens.
Ai, minha filha...

A educação judia e a sabedoria oriental

 

Dia desses, lendo o Dimenstein, um dado me chamou a atenção: O IBGE constatou que os judeus brasileiros têm um nível de renda, escolaridade e expectativa de vida superior ao dos noruegueses, os campeões mundiais de desenvolvimento humano.
Pra entender: O Índice de Desenvolvimento Humano (
IDH) é composto de três critérios: expectativa de vida, renda e escolaridade.

Nenhuma nação bate a Noruega.

A vantagem dos judeus brasileiros ocorre especialmente por causa do quesito escolaridade: acima dos 25 anos de idade, 63% estão cursando ou já concluíram o ensino superior. Aí têm tb os Orientais. O IDH destes, em sua maioria descendentes de japoneses, coreanos e chineses, é similar ao do Japão, pouco abaixo da Noruega.
Judeus, japoneses, coreanos, chineses, como a imensa maioria dos imigrantes, chegaram ao Brasil sem dinheiro, fugindo da miséria e da perseguição, sem falar a língua portuguesa e sem entender os costumes locais.

Por que progrediram tanto?
Não há nenhum segredo na prosperidade desses imigrantes. Muito menos qualquer base para se especular sobre uma suposta superioridade étnica ou racial. Além de tirar proveito de um país em crescimento, beneficiaram-se da mistura de supervalorização da educação com o envolvimento da família e da comunidade no aprendizado de suas crianças e adolescentes. No caso dos orientais, existe uma tradição cultural baseada no filósofo
Confúcio , que determinava a reverência à educação e o culto à meritocracia. O confucionismo pregava também a disciplina - o que dá para entender o rigor que perdura nas escolas do Japão e da Coréia do Sul, por exemplo. Um sinal explícito dessa reverência é o respeito ao professor. A começar do professor primário, cultuado porque, afinal, é o responsável pela alfabetização.

A relação dos judeus com o aprendizado está sintetizada no ritual iniciatório (
bar-mitzvá) de passagem da vida infantil para a adulta, realizado quando o jovem tem 13 anos. Nesse ritual não se pede um gesto de coragem ou de bravura, mas apenas a leitura de um livro (Torá). Ou seja, sem o domínio da língua não existe saída da infância. Essa obrigação ajudou que a taxa de analfabetismo entre os judeus fosse irrisória. A reverência à escrita e à leitura fez com que os judeus montassem a primeira rede pública de que se tem notícia na humanidade.

Não existe superioridade racial ou étnica.
O que existe é a combinação da valorização do saber com capital social: dá resultados, em maior ou menor grau, em todos os lugares, independentemente do credo, raça e nacionalidade. Se, obviamente, os países oferecem escolas melhores, os resultados dessa ligação serão melhores. Mas, para as escolas públicas serem melhores, é necessário que a sociedade ou, pelo menos, sua elite, acredite no valor supremo da educação.

O IDH de nossos judeus e orientais ensina que o futuro do Brasil está menos nas mãos dos economistas do que dos educadores.
Educadores não são apenas professores, mas todos aqueles capazes de fazer a química do aprendizado, colocando juntas família, escola e comunidade como se fossem um ambiente articulado e inseparável. Imaginar que a salvação da educação pública brasileira está apenas na sala de aula é somente mais uma, entre tantas manifestações de ignorância de uma nação, cujo IDH está, não por acaso, em 65º lugar - abaixo de nações mais pobres do que o Brasil.

12月25日

...e daí?

feliz, muito felizLi a última edição da Veja. E, vejam só, a Ana Carolina admitiu o inadmissível (ainda, para a sociedade) e óbvio pra quem acompanha sua carreira: gosta de meninas e meninos. Mas é leve, o texto. Tão leve quanto a forma como a moça encara o assunto e penso que será um tanto útil pra os enduvidados.

Gostei mesmo da suavidade com que a moça encara o papo; Ana carolina não empunha bandeira. Penso estar aí a tal utilidade. Se ela, como cantora e compositora, não precisa viver divulgando sua forma de compor, seus métodos de tratar e manter a voz ou o que costuma comer no almoço, também não tem a obrigação de sair pela rua gritando ao mundo que é Bi. Mas é. E Bi-linda também, aliás uma das criaturas mais bonitas da música brasileira.

sem bandeirasA forma suave de Ana Carolina encarar o assunto vem desde que resolveu assumir seu comportamento, aos 16 anos, quando ela tomou a decisão de contar para a mãe que se sentia diferente das amigas. "Fiz isso de supetão. Estávamos falando de um assunto qualquer e eu soltei a confissão, como se não fosse nada. -'Mãe, eu gosto de homens e de mulheres. Dá para a senhora me passar aquele negócio ali, por favor?'" Poderia ser mais natural? Não mesmo. Tão natural quanto ter regravado "Eu Gosto de Mulher" do Ultraje a Rigor. A questão parece ser tão clara e usual para ela quanto a escolha do repertório de um show.

Atitudes como a de Ana Carolina atraem dois tipos de oposição: sua maneira de falar de sexo parece ultrajante para os conservadores, mas também incomoda muitos homossexuais aguerridos, que gostariam de vê-la empunhando a tal bandeira do arco-íris. Mas concordo que esse suposto e desnecessário engajamento sempre acaba levando a um estereótipo igualmente inútil e com cheiro de rótulo. A moça está acima disso tudo, ao que parece. E dá ainda pra afirmar que ela não é como os de mente aberta e libertinos que vagam por aí, hoje em dia; é uma verdadeira "open-minded". Admite que se aparecer um homem e ela se apaixonar, casa de véu e grinalda.

Mandou bem, a garota. Sem rótulos, sem bandeiras e feliz.

E linda, linda mesmo...

 

Sem rótulos
10月24日

Mucama

O que se espera de uma nação
Cujo herói é a televisão
Que passa todos os seus meses mal
Melhora tudo no Natal!

Até presente dá pra dar
Só não se sabe o que vai receber
Pano de prato ou dedal
-Escolha o mais caro que eu quero ver!

Mucama na cama do patrão
Me chama de negão
Me paga salário de Bufão
Mas come o que a população não come...

Pouco se espera de uma nação
Cujo herói é a televisão
Que passa todos os seus meses mal
Melhora tudo no Carnaval!

Dá pra brincar, dá pra comemorar
Só não se sabe muito bem porque
Entrou de cara na realidade
-Na quarta feira que eu quero ver...

Na quarta feira é a volta pra realidade que arde:
Acaba a comemoração:

-Apaga a televisão pra não gastar a eletricidade

Como na Cinderela a carruagem volta a ser abóbora
E na favela o carro alegórico some
E volta às sobras:
Sobra de feira
Sobre de terra
Sobra de chão
Sobre de lama
Sobra de bala perdida
Sobra de comida pra mucama
Mucama que nada exclama, que não reclama, que não se inflama
Se acalma vendo novela, pois na tela todo mundo ama todo mundo
Mas na vida real todo mundo se odeia
E ódio gera ódio, um sobe no pódio, outro serve a ceia
Ceia do natal, tem Xuxa no carnaval
Mucama deitada na cama
Beijinho beijinho, pau pau.

-Tchau!
-Eu só vou te usar, você não é nada pra mim
-Já temos outra pra botar no seu lugar
- Pirlimpimpim!

Abracadabra, é como mágica, mas não é abra-te Sésamo
Porque aqui as portas só se fecham

-Bum!

É menos uma oportunidade.
Não é só a quarta feira que é de cinzas, na verdade é a semana inteira
Quinta, sexta, sábado, domingo e segunda
E o povo mucama continua sorrindo levando nas coxas, levando na bunda

-Mas não faz mal porque depois melhora tudo no Carnaval...




Marque uma ou mais alternativas corretas:

A que se refere o texto da canção acima? Quando foi composto e publicado?

a) 1994, por Cidade Negra e Gabriel o Pensador
b) Século XVIII, por intelectuais brasileiros em protesto ao domínio da corôa portuguesa
c) 1968, cântico entoado nos encontros secretos da UNE
d) 1985, marchinha ensaiada por Ulisses Guimarães e Tancredo neves
e) 2005, por populares no plenário da Câmara Federal
f) Anos 90, pelos caras pintadas nas ruas do país
g) Todas as possibilidades acima
 
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